De todos os sistemas que temos no mundo, a economia sem dúvidas está entre os mais complexos. Com diversos fatores impactando as alavancas e motores que compõem essa malha de engrenagens bem encaixada, mas ainda pouco compreendida por muitos. E, como toda máquina, as engrenagens precisam de algo que a faça operar com eficiência e que não a façam quebrar ao longo do tempo. Para o conhecimento que temos atualmente, esse óleo que permeia as peças é o consumo.
Da busca por comida ao sonho do carro luxuoso, o consumo faz parte da vida de todos e é impossível ter uma vida sem ele. Antes da invenção da moeda mais rudimentar, o consumo motivou pessoas a fazer escambo, a troca de um produto ou serviço por outro, para que se consiga obter aquilo que se deseja ou precisava. Por exemplo, quilos e mais quilos de sal foram trocados na antiga Roma por alimentos e outros produtos, incontáveis metros de seda foram comercializados na Ásia para serem vendidos aos europeus no milênio passado, e diversos cargueiros foram usados para transportar soja dos portos brasileiros até os quatro cantos do mundo.
O consumo, sem dúvidas nenhuma, é o que motiva a economia a se desenvolver. Até mesmo na grande União das Repúblicas Socialistas Soviéticas o consumo era o determinante de onde seria empregado a força de trabalho dos companheiros. A necessidade de consumo de alimentos, vestuário ou qualquer tipo de equipamento e instrumento de entretenimento foi pensado e os recursos necessários realocados para tentar garantir que se tenha o desejado.
Hoje, o desejo de consumo é o que motiva empresas a remanejar seus esforços para tentar gerar o máximo de lucro possível e tentar cumprir sua razão social, que vai muito além do nome para registro da empresa. Através do andar da oferta e demanda de produtos e serviços, consegue-se saber quais produtos são mais desejados pelas pessoas que compõem o país. Esses produtos podem ser dos mais variados, seja dos mais necessários, como alimentos, ao mais supérfluo, como as televisões de altíssima qualidade e tamanho, e devem ser dos mais variados possíveis. Caso seja restringido algum de seus produtos, como o que está ocorrendo com a Rússia em seu momento de guerra, a falta de acesso a ele irá comprometer toda a cadeia de empregos que seriam geradas se ele estivesse com sua circulação normalizada. Em casos de escassez, racionar o consumo de um produto com pouca disponibilidade, como as vacinas no começo da pandemia, pode ser necessária, porém, em caso de grande oferta do produto, isso só geraria desemprego e queda na qualidade de vida de todas as pessoas.
Consumo é o motivador de uma economia funcionar e não deveria ser impedido em caso de não haver escassez de produtos. Lembre-se sempre, a economia é muito mais complexa do que se pode imaginar, e um problema grande nas vendas de óleo de cozinha pode impactar até mesmo a demanda de cabelereiros, um setor completamente diferente na economia.
Marcello Corsi Janota de Carvalho – Economista e Operador da Mesa de Renda Variável
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