#Cafénomia – Lockdown Chinês, não ignore

Se você trabalha com alguma coisa que envolva compra ou venda de produtos ou serviços para o exterior, você deve ter visto que a China está fazendo uma política de “COVID ZERO”. Com o intuito de atingir esse objetivo, estão sendo feitos diversos Lockdowns no país para conter qualquer tipo de disseminação e evitar problemas sanitários. Por dias, navios ficaram ancorados próximos dos portos chineses sem conseguir descarregar seus produtos, e esse problema não se limita somente a fretes atrasados.

Para entendermos os problemas que essa situação está causando, vamos ver alguns conceitos já abortados no #ColunaDiquinta, “Oferta e demanda” e “Inflação”. (https://www.diagramainvestimentos.com.br/noticias/colunadiquinta-inflacao-o-que-e-e-de-onde-vem)

Ferro, minerais, tecidos, e outros produtos não perecíveis são um problema imediato, mas que podem ser contornados e podem esperar o descarregamento. O atraso de entrega desses insumos pode impactar, de forma mais imediata, em uma demora na entrega de produtos para os consumidores finais, podendo demorar um tempo maior. Mas, ainda será possível receber encomenda de roupas, parafusos ou demais produtos não perecíveis. Porém, o problema maior não está nos produtos não perecíveis.

Produtos duráveis podem esperar alguns dias ou semanas para serem descarregados, porém, existem produtos que tem seus prazos de entrega extremamente apertados e são os produtos com mais problemas, os alimentos.

Alimentos são produtos não perecíveis. Mesmo podendo ser refrigerados, eles perdem qualidade e, por consequência, aproveitamento. Porém, a situação não foi somente perda de qualidade do alimento. Após vários dias parados, alguns cargueiros começaram a ficar sem combustível suficiente para manter os geradores ligados. Sem a energia, diversos alimentos apodreceram na fila de descarregamento do porto. Caso procure na internet, você verá algumas matérias destacando o fato de terem jogado toneladas e mais toneladas de alimentos podres no mar ao redor da China e voltando vazios para os portos de origem.

Os alimentos não são produtos que se produzem de uma hora para outra. Eles precisam de tempo para as plantas crescerem, animais envelhecerem e não conseguem ser repostos rapidamente. Como tivemos uma perda enorme de comida no curto prazo, podemos esperar que novos preços nos supermercados. O fato da China deixar de consumir temporariamente alimentos importados não vai mudar de forma drástica a demanda mundial alimentar de médio prazo, porém, o desperdício que tivemos nos portos chineses afetou não somente a oferta de curto prazo, mas também a de médio prazo, isso por conta de todo problema na cadeia de suprimentos que teremos com esse desperdício.

Nas próximas semanas, será possível verificar novos valores $ nos supermercados (novamente). Então, não estranhem se alguns alimentos começarem a ficar mais caros e a inflação voltar a subir. Procure os alimentos da estação para evitar pagar demais pela comida do dia a dia e não se esqueça de procurar os pequenos produtores locais de frutas e verduras para aproveitar oportunidades pontuais.

Marcello Corsi Janota de Carvalho – Economista e Operador da Mesa de Renda Variável

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Imagem: AFP/Arquivos

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