Quando eu era criança lembro de ter ouvido no jornal o presidente da época falando que finalmente atingíamos a autossuficiência no petróleo. Anos depois, estamos tendo diversas discussões a respeito de termos que parear o preço da gasolina a preços próximos aos praticados internacionalmente. Sem esquecer que na década passada tivemos uma crise na Petrobrás ao ponto de a empresa ficar estupidamente endividada. A dúvida do porquê isso ocorreu, se somos autossuficientes, me levou a discutir com os demais membros da Diagrama a dúvida, “somos realmente autossuficientes no petróleo? ”.
Após uma conversa com o assessor Guilherme Gomes, tomei conhecimento de que realmente produzimos petróleo suficiente para atender a demanda brasileira, porém, que o buraco é mais profundo.
Diferente do que normalmente se é falado, não existe somente um tipo de petróleo e sim, genericamente falando, dois, um petróleo leve e um petróleo pesado. Os dois tipos necessitam de processos de processamento diferentes e, por conta disso, maquinários utilizados para refinar e produzir derivados do petróleo leve, como gasolina e plástico, não podem ser utilizados para processar o petróleo pesado.
Entrando mais a fundo no processo, verificamos que boa parte das refinarias da Petrobrás foram construídas a mais de 50 anos e utilizaram uma tecnologia de refino em que se era processado o petróleo leve. Isso por sí só não parece um problema, entretanto, o Brasil produz petróleo pesado. A diferença entre o produzido e o necessário faz com que não seja possível refinar o petróleo que produzimos, fazendo necessário a comercialização internacional do nosso petróleo e a importação do tipo aceito pelas refinarias brasileiras.
Isso, já demonstra o motivo de precisarmos deixar minimamente parável os preços internos de gasolina com os mercados internacionais. Enquanto tivermos o principal insumo necessário para a transformação para combustível sendo oriundo do mercado internacional e, por consequência, tendo o custo internacional, os custos de produção serão minimamente atrelados aos custos do mercado internacional.
Até onde havíamos visto, não encontramos planos de construção de plantas de refino do petróleo pesado sendo feitos. Uma alternativa seria, após a privatização da Petrobrás e sua separação para evitar monopólio, que tenhamos alguma empresa privada que deseja construir tal usina de transformação e se beneficiar dos custos de transporte menos agressivos, porém, que garantia teremos que ela não tenderá a trabalhar os preços internacionais? Uma vez privada seu compromisso não será mais com o povo.
Nem sempre a privatização reduz os preços praticados, principalmente quando a estatal deixa de maximizar o lucro em prol da população.
Marcello Corsi Janota de Carvalho – Economista e Operador da Mesa de Renda Variável
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Imagem: Agência Petrobras | Divulgação
