A monarca foi a primeira a estampar o rosto em uma nota de libra esterlina, ainda nos anos 1960. Quanto alguém que investiu US$ 1 mil quando ela assumiu o trono teria hoje se tivesse investido no S&P 500?
A rainha Elizabeth II teve o segundo reinado mais longo da história, atrás apenas do rei Luis XIV, da França, que assumiu o trono aos 4 anos, mas só passou a reinar depois da maioridade. No total, ela esteve com a coroa por 70 anos. Por isso, apesar de o francês ter mantido o título por 72 anos, a inglesa é considerada a que realmente reinou por mais tempo.
No período, visitou diversos países que fazem parte do Reino Unido, as antigas colônias do Império Britânico. Esteve também no Brasil em 1968, em sua primeira visita à América do Sul, ainda durante o governo militar, onde conheceu o general Costa e Silva.
Entre os chefes de Estado brasileiro, encontrou-se presencialmente com Ernesto Geisel, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Em se tratando de celebridades brasileiras, esteve na presença de Pelé, Elza Soares e Jorge Amado. O único que viveu mais tempo que ela foi o ex-jogador de futebol.
Primeiro rosto na cédula
Em março de 1960, a rainha Elizabeth II foi a primeira pessoa a ter o rosto impresso nas cédulas de libra esterlina. Desde então, o Banco da Inglaterra imprime cédulas com o rosto de um monarca de um lado e de personalidades da história inglesa do outro.
Entre os nomes que também estão estampados nas notas estão a escritora Jane Austen, o primeiro-ministro Winston Churchill, o economista Adam Smith e recentemente o matemático Alan Turing, que teve uma história de perseguição por ser homossexual.
A rainha também estampa as moedas do Reino Unido e outros países onde reina, como Austrália. Com o passar os anos, tanto o perfil nas moedas como a foto nas notas é atualizado para uma versão mais recente do rosto de Elizabeth.
Em 2016, as notas passaram a ser fabricadas em polímero, uma espécie de plástico. As notas de papel ainda estão em circulação, mas o Banco da Inglaterra deu um prazo de até 30 de setembro para aqueles que ainda têm papel gastar suas notas de 20 e 50 libras em papel. Depois disso, as cédulas serão recolhidas. A mudança foi feita como uma maneira de dificultar a falsificação e tornar as notas mais duráveis.
Uma curiosidade sobre a libra é que as notas possuem tamanhos diferentes, sendo as maiores aquelas de maior valor de face.





Moedas comemorativas
Nos grandes marcos do reinado da rainha, são lançadas moedas comemorativas com o busto em perfil de Elizabeth, de acordo com a idade não só no Reino Unido, mas em outros países do Commonwealth (Comunidade das Nações Britânicas), como a Austrália. Houve quatro jubileus: prata (1977), ouro (2002) e diamante (2012), safira (2017) e platina (2022).
Quantas moedas o Brasil já teve nesses 70 anos?
Enquanto a libra (também chamado de pound) se manteve o mesmo na Inglaterra, desde que a rainha assumiu o trono, em 1952, o Brasil já teve oito moedas, foram sete trocas, a última sendo o real, em 1994.
- Cruzeiro – De 1942 a 1967;
- Cruzeiro Novo – De 1967 a 1970;
- Cruzeiro – De 1970 a 1986;
- Cruzado – De 1986 a 1989;
- Cruzado Novo – De 1989 a 1990;
- Cruzeiro – De 1990 a 1993;
- Cruzeiro Real – De 1993 a 1994;
- Real – De 1994 até o presente.
Inflação da libra durante seu reinado
A libra esterlina é considerada a moeda em circulação mais antiga do mundo, remetendo aos tempos dos romanos e sendo cunhada pela primeira vez pelo Banco da Inglaterra ainda no século 17.
Nem mesmo durante os anos em que foi parte da União Europeia os países do Reino Unido trocaram a libra pelo euro. De modo geral, a libra é uma das moedas de maior valor de mercado frente a outras divisas, inclusive sendo cotada acima do dólar.
Apesar de manter a tradição e o nome, a libra também está sujeita à inflação. Desde que a rainha Elizabeth II assumiu o trono, a inflação acumulada foi de 2.298%. Isso significa que 1 mil libras de hoje equivaliam a apenas 41,7 libras no início de 1952.

Fonte: Office for National Statistics. Elaboração: Valor Data
Por que não há centavos de libra?
Até 1971, a libra era dividida em 240 partes iguais. Portanto, na época, uma libra valia 20 shillings e cada shillings (ou xilens) equivalia a 12 pence (penny, no singular). Somente após essa data, já no reinado de Elizabeth II, a moeda oficial do Reino Unido aderiu ao sistema decimal e passou a dividir a libra em 100 pence.
Diferentemente de moedas como o dólar, que já nasceu no sistema decimal e por isso é dividido em pedaços do todo de cem (100), por isso o nome cents, ou centavos, que são uma parte de cem.
Surgiu o principal índice da bolsa de Londres
Quando Elizabeth recebeu a coroa, ainda faltavam mais de 30 anos para surgir aquele que hoje é o principal índice da Bolsa de Londres (LSE). O FTS 100, que monitora as ações das 100 maiores empresas listadas na bolsa foi criado em 1984.
Por isso, o Valor Investe usou o índice da bolsa dos Estados Unidos S&P 500 para calcular quanto um investidor teria ganho se tivesse investido nas ações da carteira teórica no ano em que a rainha assumiu o trono.
Alguém que investiu US$ 1 mil no S&P 500 em 1952 teria hoje US$ 167.432. Veja no gráfico a evolução do índice nesses 7 anos, quando ele saiu de meros 26 pontos para quase 4 mil pontos.
S&P 500 acumulado desde 1952

Fonte: Macrotrends e Valor PRO. Elaboração: Valor Data
Fonte: Valor Investe – Isabel Filgueiras
Imagem: Rainha Elizabeth II (Foto: Jane Barlow/WPA Pool/Getty Images)
