Em uma Super Quarta, dia em que há a decisão dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, os investidores ficam de olho mesmo nos próximos passos das autoridades monetárias dos dois países.
Por aqui, a expectativa é de que o Copom (comitê do Banco Central que decide a política monetária) encerre o ciclo de altas da Selic e, por enquanto, mantenha a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A pesquisa realizada pelo Valor com 109 instituições financeiras mostrou que 82 delas esperam esse cenário. As outras 27, no entanto, apostam em um ajuste de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14%.
Embora a inflação por aqui tenha sido freada nas últimas leituras do IPCA, quando o indicador apontou uma deflação (ou seja, queda dos preços) boa parte disso se deve ao corte dos impostos dos combustíveis. Portanto, outros grupos de produtos, como a alimentação, continuam encarecendo. Inclusive, o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou recentemente que a luta contra a alta dos preços continua. Por isso, a continuidade do aperto monetário não está totalmente descartada, embora o mercado espere que a Selic continue no mesmo patamar (que, por sua vez, já é alto).
As expectativas, portanto, ficam mais focadas no discurso do BC. O mercado espera uma linguagem mais dura no comunicado, justamente para desestimular as apostas de que a Selic deve cair em breve.
Lá nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Fomc (comitê semelhante ao Copom do Brasil) promova uma alta de 0,75 ponto percentual nos juros. Assim, a taxa subiria para entre 3% e 3,25%.
Por lá, enquanto alguns indicadores inflacionários mostram um arrefecimento (como a inflação ao produtor), os mais relevantes (caso da inflação ao consumidor) continuam subindo e surpreendendo negativamente, uma vez que a expectativa era de que as altas anteriores dos juros já surtiriam algum efeito na economia. Assim como no Brasil, a expectativa maior fica por conta do discurso do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, que acontece às 15h30 de Brasília.
Agenda
Os destaques do dia são os anúncio das decisões de política monetária no Brasil e EUA. Por aqui, o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece a partir das 18h30. Já nos EUA, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) divulga, às 15h (de Brasília), sua decisão de política monetária.
Além disso, o Banco Central (BC) informa, às 14h30, o fluxo cambial semanal. O fluxo cambial registrou saída líquida de US$ 2,680 bilhões entre os dias 5 e 9 de setembro. A conta financeira anotou saída de US$ 1,725 bilhão, enquanto a conta comercial ficou negativa em US$ 955 milhões no período. Dessa forma, o fluxo cambial acumulado no mês de setembro está negativo em US$ 2,259 bilhões.
Por fim, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará, às 10h, pela primeira vez, o estudo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, que traz a caracterização sociodemográfica das pessoas com deficiência, abordando dimensões como Trabalho, Educação, Saúde, Participação e gestão, Rendimento e Moradia.
Empresas
- A CVC Corp, grupo que controla a maior agência de viagens do país, assinou um contrato de intenção de compra de 100% da Oner Travel (ex-P2D Travel). A empresa foi fundada em março de 2021 e o valor da aquisição não foi divulgado. A conclusão do negócio permitirá ao grupo crescer no segmento de agentes autônomos de viagens, afirmou Leonel Andrade, presidente da CVC.
- A Usiminas pediu que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) cumpra sua decisão de 2014 que limita a participação da CSN na empresa e determine que um terceiro independente tente vender as ações. Em resposta à autarquia a empresa também pede a aplicação de multa de 15% do valor das ações da siderúrgica detidas e não vendidas pela CSN, o equivalente a cerca de R$ 120 milhões.
- Nos últimos dois meses, a Petrobras fez 11 cortes nos preços dos combustíveis, incluindo um leque amplo de produtos: gasolina, diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP), gasolina e querosene de aviação e asfalto. A queda acumulada na gasolina, entre 20 de julho e 2 de setembro, foi de 19,22%, em quatro rodadas de reduções de preços. Já o diesel caiu 12,84% de 4 de agosto até hoje, considerando três anúncios feitos pela empresa no período.
Fonte: Valor Investe
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