Recentemente, passamos pelo primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, um direito dado a cada cidadão legal de escolher quem serão nossos representantes para ditar o ritmo de nossa evolução quanto civilização, na luta por um país melhor. Do “lado de lá”, no entanto, o povo argentino atravessa uma das suas piores crises da história, e em meio a tantas incertezas, uma coisa é certa afirmar: a Bíblia da Economia certamente não foi lida e seus princípios mais básicos não foram respeitados.
Vivendo um momento de disparada de preços no país, é praticamente impossível listar um principal motivo para a ladeira econômica vivida pela Argentina. Com inflação anual beirando os 80%, a notícia que realmente assusta é que esse número deve subir para 3 dígitos ainda em 2022. Mas afinal, já que é impossível citar apenas 1 erro, quais foram os principais erros econômicos cometidos por nossos vizinhos?
Se engana quem pensa que essa história é de agora, a Argentina sofreu um revés histórico por ter saído do posto de país com maior renda per capita do planeta em 1896 para se transformar em uma nação empobrecida. Na década de 90 para cá, vimos o país “sem fôlego” após uma sucessão de fatalidades: Crise do México em 1994, Crise da Rússia 1997 e da Ásia em 1998, o que praticamente quebrou a Argentina, que tinha a moeda americana como âncora da sua economia e foi diretamente impactada pela crise dos mercados emergentes. A partir de 1999, enquanto o Brasil adotava o sistema de metas para inflação e o tripé macroeconômico, a Argentina se aproximava do crash na sua economia: para conter a corrida bancária e impedir a quebra dos bancos, começa o congelamento dos depósitos. Cerca de 70 bilhões de dólares, limitando saques diário de 250 pesos por cidadão. A tão falada Crise de 2001.
Outro fundamento que apoia a decadência econômica da Argentina é sua moeda. Atualmente, o país convive com duas taxas de câmbio, uma taxa oficial e outra paralela. Situação essa, que veio de uma tentativa de controle do câmbio, que acabou culminando em trocas de ministros mal-sucedidas. O peso argentino, que um dia já foi equiparado ao dólar em cotação, vale hoje 148 para 1.
O país vem sendo conduzido com enormes dificuldades que não ainda não conseguiram solucionar, entre eles o alto déficit nas contas públicas e os gastos com forte componente de assistência social, escassez de reservas e liquidez para fazer frente aos pagamentos da dívida uma questão importante de sua moeda, uma economia informal crescente e emprego, tarifas de energia subsidiadas no contexto do aumento dos preços do petróleo e do gás devido à guerra na Ucrânia, e uma eterna desconfiança no peso e na economia em geral, construída de crise em crise. Você pode estar se perguntando: “De que maneira isso afeta o meu Brasil brasileiro?”. Hoje, a Argentina é o país que mais compra produtos manufaturados do Brasil, além do Mercosul que nos liga economicamente e nos prejudica quando a Argentina vai mal das pernas.
Que nossa rivalidade se limite apenas aos clássicos embates entre Pelé e Maradona, Neymar Jr e Lionel Messi, dentro das linhas esportivas e esperamos ansiosamente que as medidas necessárias para recuperação sejam tomadas por nossos queridos “hermanos”.
“Se você deixar a Argentina e retornar em 20 dias, tudo terá mudado; se retornar em 20 anos, nada terá mudado”.
– Martín Caparrós
Matheus Lourenço – Assessor de Investimentos
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