#Decodificando – A grama do vizinho é sempre mais verde?

A palavra “crise”, segundo o dicionário, significa “episódio desgastante, complicado; situação de tensão, disputa, conflito”. Com certeza, é a palavra que se aplica ao nossos amigos europeus com o cenário vivido recentemente. O ser humano, por sua natureza, tem a tendência de achar que a grama do vizinho é sempre “mais verde”, porém, nos últimos tempos, o Brasil vem nadando a braçadas frente à uma Europa em queda. Hoje, abordaremos um pouco do cenário caótico vivido por eles.

Em 1940, praticamente todos os principais países europeus tinham sido dominados pelo regime nazista. Quando parecia não haver mais esperanças, a Inglaterra de Winston Churchill conduziu o que seria a guinada primordial para a virada da guerra. Naquele tempo o povo europeu se encontrou em sua maior crise histórica dentro de séculos. Obviamente, seria um exagero comparar a situação do pós-guerra com a situação atual europeia, porém é importante ressaltar algumas estranhas coincidências…

Se a ideia é falar de guerra, Rússia e Ucrânia estão gerando problemas suficientes no leste europeu, causando violência incontrolável e uma hiperinflação energética relevante. Não só isso, como também o ministro das Finanças britânico que desconsiderou o plano econômico, no mínimo “destrambelhado”, da então primeira-ministra Liz Truss (que renunciou 44 dias após assumir o cargo), que tinha como base cortar impostos para cidadãos e empresas como forma de impulsionar a economia britânica, ideia essa que não foi bem recebida pelo mercado.

Para complementar o caos, a inflação na zona do euro atingiu seu recorde e os recentes índices inflacionários confirmaram as expectativas de mercado que continuaram a alçar novos horizontes na União Europeia e no Reino Unido. A libra (moeda utilizada em todo Reino Unido) desabou quase 3% e atingiu seu nível mais baixo em relação ao dólar americano desde 1985 e o mercado prevê uma recessão europeia prolongada. É importante ressaltar que, assim como o mundo todo, o Velho mundo também sofreu com uma pandemia recente, por possuir uma alta taxa de cidadãos idosos, o que por si só já seria um fator bem preocupante, mas mesmo antes da COVID-19, o endividamento público de países não parava de inflar e atingir níveis ainda mais alarmantes.
Ufa! Conseguiu acompanhar tudo?

É claro que todos esses fatores serão decisivos para o futuro do continente europeu e, consequentemente para o resto do mundo. Inclusive, uma das consequências desse cenário já foi abordado por mim há algumas semanas: o Credit Suisse. Taxa de juros alta, dívida pública incontrolável, inflação em crescimento exponencial e PIB desacelerado são fatores preocupantes e que requerem nossa atenção. De qualquer maneira, como já falei aqui algumas vezes: Sempre passaremos por ciclos econômicos e o investidor deve decidir entre ter cuidado ou tomar risco com as suas posições expostas em euro, fundos europeus e ações europeias. Haja estômago!

Com o tempo a gente descobre que aquela graminha do vizinho que parecia tão verde, na verdade pode ser sintética! A Europa tem um longo caminho a percorrer, isso é verdade. Nessas horas, apesar de tantos erros, podemos dizer que o Brasil é um dos países que está atravessando um momento totalmente diferente da maioria: meses de deflação, taxa de juros possivelmente estagnando em 13,75 e projeção de crescimento no PIB para o próximo ano. Não estou comparando o Brasil a uma Suécia ou a um Japão, longe disso, mas será que não temos algo a ensinar aos nossos amigos do Velho Continente? Afinal, de viver turbulência a gente entende…

Matheus Lourenço – Assessor de Investimentos

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Imagem capa: Site Dinheirama

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