Sessão é de aversão ao risco no mercado, com investidores de olho em China, guerra e política monetária; reuniões de Copom e Fomc iniciam hoje
Os futuros americanos e as bolsas da Europa operam em baixa na manhã desta terça-feira (15), enquanto os investidores continuam monitorando os desenvolvimentos no conflito Rússia-Ucrânia e aguardam importante decisão de política do Federal Reserve (Fed) na próxima quarta. Já os mercados asiáticos fecharam majoritariamente em queda, com a divulgação de alguns dados econômicos chineses muito melhores do que o esperado oferecendo pouco alívio, com os investidores monitorando a onda de Covid no país, enquanto Hang Seng, em Hong Kong, teve nova sessão de forte queda com pressão de techs.
Nos EUA, espera-se amplamente que o Fed eleve sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual. As crescentes preocupações inflacionárias pesarão na reunião de dois dias do Fed, que inicia hoje. O lockdown na China pode piorar os problemas da cadeia de suprimentos, depois que um aumento nos casos de Covid-19 suspendeu a produção em cidades como Shenzhen, uma importante cidade manufatureira. O conflito Rússia-Ucrânia já havia levado a um aumento nos preços das commodities.
Com isso, o banco central americano não tem escolha a não ser aumentar as taxas para frear a inflação que está acelerando.
Conversas entre autoridades russas e ucranianas aconteceram ontem em uma tentativa de estabelecer um cessar-fogo sólido e encontrar espaço para qualquer compromisso entre as demandas da Rússia e da Ucrânia. Mas, como as tentativas anteriores, a quarta rodada de discussões terminou com pouco progresso. As negociações serão retomadas nesta terça-feira. Enquanto isso, projéteis russos atingiram vários prédios residenciais em Kiev, disse o prefeito da cidade na manhã de segunda-feira.
Na frente de indicadores, dados divulgados hoje mostraram que a produção industrial chinesa aumentou 7,5% em janeiro e fevereiro em relação ao ano anterior, acima do aumento de 3,9% previsto por analistas em uma pesquisa da Reuters.
As vendas no varejo na China nos dois primeiros meses do ano também superaram as expectativas, ganhando 6,7% em janeiro e fevereiro, em comparação com as expectativas de um aumento de 3% por analistas em uma pesquisa da Reuters.
No Brasil, às vésperas do Copom, a possibilidade de o governo aumentar o Auxílio Brasil para ajudar a enfrentar a elevação dos combustíveis resgataram os receios de risco fiscal e impulsionaram os juros futuros.
Confira mais destaques:
Bolsas Mundiais
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA têm perdas nesta manhã de terça-feira (15), com investidores monitorando a reunião do Federal Reserve que tem início hoje, com expectativa de elevação de juros na próxima quarta.
Os investidores também aguardam as novas previsões do banco central para taxas, inflação e economia, dada a incerteza da escalada das tensões geopolíticas.
Veja o desempenho dos mercados futuros:
- Dow Jones Futuro (EUA), -0,38%
- S&P 500 Futuro (EUA), -0,32%
- Nasdaq Futuro (EUA), -0,26%
Ásia
Os mercados asiáticos fecharam majoritariamente em baixa, em razão de casos de Covid na China que obrigaram a um lockdown em grandes cidades como Xangai e Shenzhen. Destaque ainda para o índice Hang Seng de Hong Kong que caiu 5,72%, para 18.415,08 – seu menor fechamento desde fevereiro de 2016, segundo dados do Refinitiv.
As ações de tech chinesas em Hong Kong tiveram uma sessão de volatilidade. O índice Hang Seng Tech caiu mais de 7% durante a manhã, depois operou brevemente em território positivo antes de apagar esses ganhos, caindo 8,1% no dia.
À medida que os investidores continuavam avaliando a perspectiva de possíveis deslistagens das bolsas dos EUA, as ações de tecnologia chinesas listadas em Hong Kong despencaram: o Alibaba caiu 11,93%, enquanto o JD.com caiu 10,06%. O NetEase caiu 7,68%.
A aversão ao risco com as techs chinesas aumentou na segunda após um relatório de que a Tencent poderia enfrentar uma multa recorde por violar as regras de combate à lavagem de dinheiro.
- Shanghai SE (China), -4,95%
- Nikkei (Japão), +0,15%
- Hang Seng Index (Hong Kong), +5,72%
- Kospi (Coreia do Sul), -0,91%
Europa
Os mercados europeus recuam repercutindo eventos na Europa, enquanto a guerra da Rússia contra a Ucrânia causa morte e destruição no país.
Na agenda de indicadores, a produção industrial na zona do euro decepcionou, com estabilidade ante projeção Refinitiv de alta de 0,1% em janeiro na base mensal. Na comparação anual, a baixa foi de 1,3%, ante projeção de queda de 0,5%.
- FTSE 100 (Reino Unido), -1,49%
- DAX (Alemanha), -2,16%
- CAC 40 (França), -2,47%
- FTSE MIB (Itália), -1,91%
Commodities
Os preços do petróleo recuam devido às contínuas negociações de cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia e as preocupações com uma demanda mais lenta na China após um aumento nos casos de Covid-19.
- Petróleo WTI, -5,33%, a US$ 97,51 o barril
- Petróleo Brent, -5,42%, a US$ 101,11 o barril
- Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve queda de 4,61%, a 756,00 iuanes, o equivalente a US$ 118,63
Agenda
Nesta terça-feira (15), tem o índice de preços ao produtor nos EUA, com expectativa de alta 0,9%, segundo analistas ouvidos pela Reuters.
No Brasil, o foco estará na política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir hoje e amanhã. Enfrentando um ambiente inflacionário ainda desafiador, o colegiado deve promover alta de 1 ponto percentual na Selic, para 11,75%, em linha com a expectativa do mercado. Desta vez, diferentemente das últimas reuniões, o Copom deverá deixar em aberto os próximos passos, sem fazer sinalizações claras sobre a magnitude do ajuste na reunião de maio.
Brasil
9h: IBGE divulga Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física – Regional
9h: Pesquisa eleitoral – XP/Ipespe
11h: Primeiro dia de reunião do Copom
EUA
9h30: Índice de preços ao produtor
17h: Variação de Estoques de petróleo API
Combustíveis no radar
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou ontem (14) que a Petrobras tem “função social” e precisa participar do esforço para a diminuição do preço dos combustíveis no País. Nas últimas semanas, aumentou a atuação do governo e do Congresso para encontrar uma forma de diminuir o impacto da guerra na Ucrânia, que tem gerado uma escalada do barril de petróleo no mercado internacional.
“A Petrobras tem hoje uma lucratividade na ordem de três vezes mais do que os seus concorrentes, dividendos bilionários, e é óbvio que é muito bom que isso aconteça, mas isso não pode acontecer sob o sacrifício da população brasileira que abastece os seus veículos ou que precisa do transporte coletivo”, disse Pacheco, em entrevista coletiva, durante o evento Conexão Empresarial, em Belo Horizonte.
Fonte: Infomoney
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