#Cafénomia – Catar: De catador de pérolas a uma das 50 maiores economias do mundo

Com a copa dominando todas as rodas de conversa, é importante falarmos do país sede do evento neste ano, o Catar (Qatar em inglês). Há algumas décadas, muito provavelmente você nem saberia da existência desse país. Porém, hoje ele está em 41º colocação entre as maiores economias do mundo. Para homenagear o país sede da copa do mundo 2022, vamos falar um pouco da sua trajetória econômica e como ela ganhou essa notoriedade.

Apesar do país ser uma monarquia absolutista, ele não é tão velho quanto alguns podem pensar. Ao longo de vários séculos ele foi governado por diversos outros impérios que controlaram a região. Tendo uma economia a base da exploração de pérolas e servindo como um centro comercial na região, o território não tinha uma economia com uma produção interna abundante. Já foi dominado por portugueses, otomanos e por britânicos.

Ainda em domínio britânico, pouco antes da segunda grande guerra, foi descoberto poços de petróleo na pequena península, commodities essa que não foi amplamente explorada por muitos anos, por conta do conflito que assolou o velho mundo e impediu que o enfoque ao subsolo rico fosse utilizado. Até então, sua economia interna era baseada somente em pesca e coleta de pérolas ao longo do mar vermelho, setor esse que entrou em declínio com a entrada do cultivo de pérolas pelos japoneses, que desvalorizou o preço do ativo.

Com a descoberta do petróleo na década de 40, o país conseguiu outra fonte de renda para sustentar sua economia fraca. Entretanto, somente com os constantes choques nos preços do petróleo ao longo do século XX e XXI que o país ganhou notoriedade global. Para termos um comparativo mais claro, em 1970 o PIB do país girava em torno de 300 milhões de dólares, muito inferior aos 179 bilhões de dólares atualmente. Para quem ficou curioso(a), com os números, isso representou um aumento de mais de 596 vezes em apenas 52 anos.

Com o petróleo, foi possível gerar fonte de receita que sustentou o novo reinado iniciado em 1972, aproximadamente um ano após a independência do país, e fez com que sua população conseguisse melhorar de qualidade de vida, chegando hoje a um IDH 0,848, um número considerado elevado. Toda via, o seu maior forte hoje pode se tornar um de seus maiores calcanhares de Aquiles.

Com as mudanças climáticas afetando todo o globo, causando catástrofes climáticas e prejudicando a extração de recursos, o mundo está tentando reduzir o consumo dos principais produtos exportados pelo Catar, o Petróleo e o Gás natural. Com a mudança energética, o ouro negro pode parar de valorizar e começar a declinar de preços, o que fará com que o PIB do país caia significativamente. A preocupação da região é tão grande que países como a Arábia Saudita investem pesadamente em tecnologia para conseguir ter independência alimentícia, a ponto de hoje já conseguir plantar em desertos e ter passado de importador de peixes para exportador.

A ecologia não é algo que possa ser deixado de lado. O meio ambiente cobra juros cada vez mais elevados à medida que agravamos a crise climática. Isso faz com que diversos países do mundo estejam amplamente engajados a substituir suas matrizes energéticas o quanto antes, reduzindo as importações de petróleo e gás natural. Entretanto, o quanto deste movimento pode estar sendo influenciado pela ideia de reduzir a dependência de países como o Catar?

Somente os futuros livros de história dirão o quanto era motivado. Enquanto ainda estamos passando pelas mudanças, só podemos alocar nossos recursos de forma diversificada e bem acompanhada por assessores de investimentos e torcer pelo Brasil para trazer o Hexa para casa.

Marcello Corsi Janota de Carvalho – Economista e Operador da Mesa de Renda Variável

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