#Cafénomia – Tempestade no oceano azul das criptomoedas

Você deve já ter ouvido falar da quebra de uma das maiores corretoras do mundo em criptomoedas, a FTX.  Se você investe no segmento, com certeza ouviu falar. O ocorrido foi de fato um balde de água fria em todo setor e ainda terá consequências nessa história. Quem perdeu dinheiro deve estar pensando “Poderia ter sido evitado?”

Vamos entender como funcionava a FTX e o que se difere de outras custódias que temos hoje no Brasil e no mundo?

Na bolsa de valores brasileira, por exemplo, os ativos são custodiados, ou seja, estão depositados na B3. Ela tem regras estritas e regulação severas para que, efetivamente, tenha todos os valores mobiliários em sua custódia e um controle rigoroso dos riscos dos investidores que se alavancam utilizando este mercado. Com isso, movimentações de magnitudes bilionárias são cotidianas para este mercado, que movimenta mais de 40 bilhões de reais em alguns dias.

Caso queira abrir uma corretora nova no mercado brasileiro, ela não terá o trabalho de custodiar todos os ativos nela e ter que desenvolver os mesmos controles que a B3 desenvolveu. Hoje no Brasil, toda essa parte fica restrita a própria B3 para melhor diligência e controle dos ativos dos brasileiros.

Esse processo não é igual para as corretoras de criptomoedas. Como ainda fazem parte de um oceano azul, diversos processos estão sendo desenvolvidos e muitas regulamentações ainda são novas e pouco aperfeiçoadas.

Nas corretoras de criptomoedas, os tokens digitais que são comprados ficam custodiados na carteira digital da corretora e não na dos clientes. Desta forma, quem tem efetivamente a posse dos ativos digitais dos clientes é a corretora, diferente do que ocorre no mercado de ações mais “maduro”.  Isso se deve a questões técnicas por conta do funcionamento deste mercado.

Como ainda é muito recente este mercado, as corretoras de criptoativos não precisam ter efetivamente a quantidade total custodiados de ativos que seus clientes tem de tokens, podendo assim alavancar suas operações.

Isso basicamente foi o que ocorreu com a FTX.

Com a possibilidade de alavancar sua operação, outrora uma das maiores corretora de criptomoedas do mundo alavancou suas operações utilizando os tokens de seus clientes para ganhar mais recursos e assim lucrar mais com sua operação.

Prática essa que é comum, para bancos normais, porém, sem uma figura que consiga atuar como “anjo da guarda” regulando o quanto se alavancariam e salvando a instituição em caso de quebra, a alavancagem da FTX fez com que eles não tivessem recursos para cumprir com uma transferência bilionária de um dia.

Ao tentar utilizar o ocorrido para comprar a corretora concorrente, a Binance ofereceu adquirir a empresa e salvar os clientes da concorrente. Porém, ao ver efetivamente o quanto eles tinham em custódia, foi visto que a FTX alavancou em demasia suas operações e que não haveria como socorrer o mercado.

A alta alavancagem da corretora acendeu a luz vermelha no mundo sobre o quão livre essas corretoras estão e o quão expostos estão os clientes as decisões das corretoras. Devemos esperar que os governos revejam as regras do jogo das corretoras. Acompanhe os canais da Diagrama Investimentos para visualizar os desdobramentos de uma das maiores quebras na história dos criptoativos.

Marcello Corsi Janota de Carvalho – Economista e Operador da Mesa de Renda Variável

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Imagem: Virgile Bertrand/Forbes

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