Vamos começar com a boa notícia: 70,3% da população brasileira afirma fazer planejamento financeiro. Agora, a má: desse total, 58% dos entrevistados dizem se informar sobre finanças por meio de amigos e parentes – e correm sério risco de destinar as suadas economias a uma estratégia financeira que pode não ser a mais adequada para suas necessidades.
Os dados são de uma pesquisa da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar). O levantamento indica que os homens dizem fazer mais planejamento financeiro que as mulheres: são 77,4% do público masculino, contra um índice de 64,6% das mulheres.
O levantamento foi realizado em maio e ouviu 603 pessoas de todas as faixas etárias, a partir de 16 anos de idade. Os estados pesquisados foram São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal.
Do total, 72% afirmaram saber o que é um planejamento financeiro, conhecimento que ficou mais evidente entre o público masculino, na faixa etária de 35 a 59 anos, com índice acima de 78%, na média. Entre os que desconhecem esse tipo de planejamento, as pessoas entre 16 e 24 anos lideram, com 39,4%.
Tradicionalmente, as pessoas começam a investir em razão de uma meta estabelecida. As pessoas ouvidas pela Planejar priorizaram organizar as finanças (56,9%), evitar o endividamento (42,9%), para investir (19,4%), se preparar para a aposentadoria (18,1%), comprar imóvel (9,4%), sair do endividamento (7,8%) e comprar veículo (7%).
Aliás, “organização das finanças” é uma preocupação que cresceu em maio deste ano (56,9%), com relação a igual mês de 2021 (46,2%). Segundo a pesquisa, o desconhecimento afasta as pessoas do planejamento financeiro. O “não sei como fazer” é o principal motivo, apontado por 21% dos entrevistados. O segundo motivo alegado foi “estou endividado” (15,9%), empatado com “não tenho tempo” e “não tenho renda suficiente” (15,9%). Estão na lista também “não tenho disposição” (14%), “falta de hábito” (8,9%) e “não gosto” (4,5%).
E de que forma as pessoas lidam com o planejamento financeiro? Quando perguntados se contavam com as orientações de algum assessor financeiro, 73,6% disseram que sim. Mas 58% disseram que conseguem informações com parentes ou amigos; 15,9% com agente ou consultor autônomo; 11,4% com gerente do banco; 10,2% com Youtuber; 6,8% com plataforma financeira e 2,3%, com cursos.
“Os resultados da pesquisa mostram que o planejamento financeiro está ganhando espaço entre os brasileiros, mas ainda há muito a fazer”, diz Osvaldo Cervi, vice-presidente da Planejar. Para ele, o dado de que muita gente ainda busca orientação com amigos e parentes preocupa, já que não sugere suporte qualificado e pode explicar o crescimento de pirâmides financeiras (quem entra indica parentes e amigos) e também o alto nível de endividamento das famílias brasileiras. “Muitos costumam utilizar o crédito consignado de pais e avós para financiamento de bens de consumo de alto custo”, afirma Cervi.
Fonte: ValorInveste
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