Em diferentes momentos do ciclo de aperto monetário, alta de juros já é esperada tanto no Brasil quanto nos EUA, mas próximos passos serão monitorados
O Federal Open Market Committee (Fomc) do Federal Reserve, Banco Central dos EUA, e o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do brasil, têm reuniões de política monetária na quarta-feira (4) em diferentes momentos do ciclo de alta de juros, mas com questões que se assemelham. Até onde ir para conter a persistente alta de preços?
Assim, a super-quarta será acompanhada de perto pelos investidores, não só pelas decisões de juros em si, mas também pelas sinalizações dos próximos passos das autoridades monetárias.
No caso do Copom, os economistas esperam que o Banco Central eleve a Selic para 12,75% na próxima reunião, com destaque para a sinalização dos próximos passos do comitê. Apesar da percepção de que o ciclo de aperto se aproxima do fim, não é descartado que o Comitê mantenha a porta aberta para uma alta mais prolongada da taxa básica à medida em que a inflação segue em nível incompatível com a meta.
Tão importante quanto a decisão será o comunicado do BC após o anúncio.
O tom do Copom nessa mensagem pode sinalizar até quando os juros devem continuar subindo. Alguns analistas já preveem Selic terminal acima de 14%, visto os últimos dados de inflação. O IPCA-15 de abril, por exemplo, teve sua maior variação mensal (1,73%) em quase 30 anos A XP destaca que a análise de dados desde o último Copom não aponta alívio para a dinâmica de preços. A inflação continua em nível alto, as projeções para 2022 e 2023 aumentaram e o ambiente global se deteriorou. As simulações dos economistas da casa replicando o modelo do Copom sugerem alta da projeção do IPCA para 2022 de 7,1% para 7,8%, e estabilidade em 3,4% para 2023 em relação à reunião de março, avaliam. Assim, ainda que em linha com as outras análises, esperam alta de 1 ponto na taxa Selic nesta reunião, como o cenário de inflação continua pressionado e incerto, entende que o Copom optará por deixar a porta aberta para um possível reajuste adicional em junho.
Os economistas da XP projetam atualmente que o Copom entregará uma última alta de 1 ponto na reunião seguinte, levando a Selic para 13,75%. “Pode ser também um aumento final menor, mas optamos por manter o ritmo de 1 ponto, que a nosso ver maximiza a probabilidade de uma convergência tempestiva da inflação à meta. Se o movimento provar exagerado, o Copom terá a oportunidade de iniciar um ciclo de flexibilização antes do esperado”, avaliam.
Fomc: além da alta de 0,5 ponto
Com potencial de impactar ainda mais o mercado está a decisão do Federal Reserve às 15h (horário de Brasília). A expectativa é de alta de 0,5 ponto nos juros, passando da banda de 0,25%-0,50% para 0,75%-1,00%, com aceleração no ritmo de elevação em meio à persistência da inflação. Além da decisão, os mercados devem acompanhar de perto a coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell, após sinalizações mais duras sobre os juros feitas no final do mês passado por ele e que impactaram o mercado.
As grandes expectativas ficam para o ritmo de alta de juros e também para a redução do balanço de ativos do Fed.
Na visão dos economistas, os planos do Fomc de elevar os juros para um nível neutro – que não estimula nem contrai o crescimento – de cerca de 2,5% não serão suficientes para aliviar a inflação. “Teremos uma grande recessão, mas acreditamos fortemente que quanto mais cedo e mais agressivamente o Fed agir, menos danos de longo prazo haverá para a economia”, apontaram.
Fonte: Infomoney
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